Estudantes e trabalhadores alertam sobre dívidas com cartão e cheque especial

Brasília - As dívidas com cartão de crédito e cheque especial, que têm juros mais altos que outras modalidades de crédito, e os gastos comuns do início do ano - impostos e despesas com escolas - são um problema para muitos brasileiros.
Brasília - As dívidas com cartão de crédito e cheque especial, que têm juros mais altos que outras modalidades de crédito, e os gastos comuns do início do ano - impostos e despesas com escolas - são um problema para muitos brasileiros.

O estudante universitário de 22 anos, que prefere não revelar o nome, conta que começou a se endividar depois que entrou na universidade e passou a fazer estágio em um órgão público, quando tinha 20 anos. Inicialmente, ele diz que quase não usava o cartão de crédito, mas depois começou a gastar com livros, materiais acadêmicos e roupas. “Nisso, perdi o controle”. Em vez de pagar o valor total das faturas, ele optava pelo crédito rotativo, com juros. “O cartão dá uma falsa ilusão de que está tudo bem, afinal, você compra, compra e, se não prestar atenção, nem percebe que as dívidas só acumulam”. Atualmente, ele afirma que as dívidas estão quitadas, mas é preciso ficar atento para não perder o controle.

A administradora de 31 anos, que também não revela o nome, conta que começou a se endividar depois do nascimento da filha. “Meu orçamento teve um comprometimento muito grande por causa disso, precisei pagar creche e coisas para o bebê”. Ela conta ainda que há seis meses está endividada com o cartão de crédito e o cheque especial e lembra que usou essas modalidades para fazer compras de supermercado. “Quando vi, o que eu ganhava não dava mais para pagar todas as contas. E com a renegociação de algumas, as não pagas foram se acumulando”, destaca.

A vendedora de 24 anos (nome não revelado) conta que as dívidas também vieram com o uso descontrolado do cartão de crédito. “Como sou vendedora, o limite de crédito do cartão é baixo, o que me fez adquirir mais de um, na intenção de ter limite maior. Então, fiz muitas compras e, quando me dei conta, os valores iam além do que eu ganhava”. Agora, além das faturas do cartão de crédito, a vendedora tem que enfrentar as despesas com aluguel, o carnê da geladeira e os gastos com o filho. “Por enquanto, estou deixando de comprar roupas e diminuindo as despesas de casa para pagar essas dívidas. Esse acúmulo está me fazendo pensar em acionar uma financeira, mas estou preocupada com os juros”, revela.

O vigilante Antônio da Costa, 31 anos, concorda que é preciso mesmo muita atenção aos juros na hora de tomar crédito. “Quando precisei reformar minha casa, acabei fazendo empréstimo em três financeiras. Não pensei bem nos juros que poderia pagar depois. Hoje, a casa está pronta, mas as dívidas continuam. Precisei cortar gastos para pagá-las” conta.

Há também aqueles que não perderam totalmente o controle das despesas, mas que não conseguem poupar. É o caso da servidora pública, de 31 anos. “Eu consigo pagar as contas em dia, mas não me sobra dinheiro para mais nada, nem mesmo para a poupança”, diz. De acordo com ela, o salário vai quase todo para as parcelas do financiamento do carro, as compras de supermercado da casa dela e para a família do irmão que está desempregado. “O cartão de crédito é o maior problema, pois a cobrança de juros é alta. E eu costumo optar por compras parceladas para facilitar o pagamento da fatura, o que, no entanto, vai arrastando a dívida ao longo dos meses. Então, a questão é essa: o dinheiro dá para pagar as contas, mas só para isso”.

Edição: Graça Adjuto

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