Venda da marca Casas Bahia pode ser condição para aprovação

SÃO PAULO - Dentre as condições para aprovação da associação entre Pão de Açúcar e Casas Bahia, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) pode estabelecer exigências não só de venda lojas dos centros de distribuição em algumas cidades, como também a venda da marca Casas Bahia, de modo a reequilibrar a concorrência no segmento. A avaliação é de Cleveland Prates, consultor e ex-conselheiro da entidade.
SÃO PAULO - Dentre as condições para aprovação da associação entre Pão de Açúcar e Casas Bahia, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) pode estabelecer exigências não só de venda lojas dos centros de distribuição em algumas cidades, como também a venda da marca Casas Bahia, de modo a reequilibrar a concorrência no segmento. A avaliação é de Cleveland Prates, consultor e ex-conselheiro da entidade.

De acordo com ele, cada história de fusão e aquisição é única, o que impede prever a decisão do Conselho. "Não é tão trivial dizer se haverá ou não problemas na aprovação do negócio", diz, reforçando que a decisão pode levar até dois anos para sair. O próprio Conselho ainda não se manifestou oficialmente sobre a operação.

"Se a marca Casas Bahia, por exemplo, for relevante no processo de escolha do consumidor, o CADE pode entender que a venda da marca para uma nova empresa ou um concorrente seja indicada para restabelecer as condições de competição", avalia.

Seja como for, os conselheiros devem levar em conta se os concorrentes que sobraram no mercado poderão operar em pé de igualdade com a nova gigante. Outro quesito a ser avaliado é se a associação anunciada hoje reserva condições para que outras empresas do setor entrem nesse mercado com formação de uma nova rede, o que equilibraria a disputa.

Segundo Luís Motta, sócio de fusões e aquisições da KPMG do Brasil, diz que a transação cria um paradigma no setor e a concorrência deve se movimentar rapidamente. "Não dá para olhar isso passividade. Ainda que a união entre Pão de Açúcar e Casas Bahia tenha concentrado bastante o segmento, há muitas oportunidades em redes regionais fora do circuito Rio-São Paulo", diz, mencionando que não fica descartada também novas consolidações entre outras grandes empresas do setor.

Em uma associação dessa proporção, que prevê faturamento total da ordem de R$ 40 bilhões, Prates diz que alguns aspectos tornam-se cruciais na avaliação do CADE. Um deles é se a união das duas empresas criaria distorções nas condições de compra e de poder de barganha junto aos fabricantes de linha branca, por exemplo.

"Essa nova empresa passa a ter forte poder de negociação para adquirir produtos e pode impor por exemplo, cláusulas de exclusividade para comercialização de determinados produtos", diz. Isso prejudicaria não só os concorrentes, mas em última instância a ponta de consumo, que ficar sem alternativas de negociação para adquirir determinados bens.

Por outro lado, uma eventual compensação para esse tipo de problema poderia vir por meio dos ganhos de sinergia. A união entre as duas operações deve proporcionar uma redução significativa de custos, o que tende também ser passado ao custo final do produto.

A movimentação no varejo como um todo tem se mostrado acelerada neste ano. Segundo levantamento da consultoria KPMG, considerando a associação anunciada hoje, já são nove operações, mais do que as sete registradas em todo o ano de 2008. Considerando apenas os supermercados, a comparação é de cinco transações até setembro deste ano, ante apenas duas no ano passado.

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